1 de Abril de 2004. A data vai ficar na memória com certeza. O dia estava solarengo, e apesar de ter de me deslocar para o centro da cidade de Lisboa logo de manhã, não me importunou apanhar o trânsito infernal e já habitual, já que era uma viagem que aguardava há algum tempo. Na rádio ouvia o Markl a divagar acerca de uma música do José Cid (que envolvia favas e chouriços) numa emissão da rubrica Homem que mordeu o Cão que ficou para a história.
Após me libertar das filas de trânsito eis que chego ao destino e o nervoso miudinho começava a intensificar-se. Sem grande razão de resto, já que a parte mais complicada já tinha passado e até tinha corrido bem. Naquele dia, eram basicamente as formalidades habituais que tinham de ser feitas. No quinto piso estavam mais treze alminhas, prontas para despachar as burocracias. A satisfação era geral, embora uns tivessem um nível de satisfação um pouco maior, fruto da melhor classificação…e nestas coisas de concursos, quanto melhor a classificação maior a possibilidade de escolha. Eu não me pude queixar, um honroso quarto lugar deu-me a hipótese de escolher o local que sempre foi a minha primeira escolha.
Assinados os papéis e vencidas todas as burocracias estava preparado para me apresentar no meu novo local de trabalho. E após o almoço, lá fui eu apresentar-me ao serviço, pronto para trabalhar.
Parece que foi ontem, mas já passaram quatro anos desde que ingressei na função pública e se nesse 1 de Abril de 2004 achei irónico que tomasse posse no “dia das mentiras”, hoje leio esta notícia e só espero que a mesma seja mentira. É que se já não bastasse ganhar pouco (sim, há funcionários públicos mal pagos) para as funções que desempenho e para a formação que possuo, já que continuo a receber como Bacharel apesar de ter uma Licenciatura, e já agora, terem congelado as carreiras, ainda querem dar menos incentivos a trabalhadores devidamente qualificados e que podem trazer algumas mudanças reais numa função pública que ainda tem muitos funcionários com poucas qualificações para as funções que desempenham? Será esta a política certa a seguir?